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Segurança

“Ele só queria cuidar de mim”: Quando o controle vira o primeiro sinal de violência

Campanha Agosto Lilás 2026 marca os 20 anos da Lei Maria da Penha reforçando a importância de reconhecer abusos antes que eles se agravem

Por glauciusb@gmail.com Publicado em 3 min de leitura
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“Ele só queria cuidar de mim”: Quando o controle vira o primeiro sinal de violência
Reprodução — conferir direito de uso

No começo, parecia cuidado. Ana acreditava que o namorado apenas se preocupava com ela. Ele perguntava onde estava, com quem conversava e por que demorava para responder as mensagens. Dizia que era por amor, que queria protegê-la.

Com o tempo, as perguntas viraram cobranças. As opiniões sobre as roupas que ela vestia começaram a aparecer. Vieram os pedidos para se afastar de algumas amizades, as críticas constantes e a tentativa de controlar o dinheiro e a rotina.

Ana passou a se sentir insegura, mas não sabia definir exatamente o que estava acontecendo. Não havia marcas no corpo, nenhuma agressão física. Ainda assim, algo havia mudado.

A história de Ana não é um caso real específico, mas representa uma realidade vivida por muitas mulheres que enfrentam diferentes formas de violência dentro de relacionamentos. Muitas vítimas só percebem a gravidade da situação quando o ciclo de abusos já está avançado.

É justamente esse alerta que a campanha Agosto Lilás busca reforçar neste ano, quando são lembrados os 20 anos da Lei Maria da Penha, uma das principais legislações brasileiras de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o estado registrou 142 feminicídios no primeiro semestre de 2026, contra 129 no mesmo período de 2025, um aumento de aproximadamente 10%.

A violência contra a mulher, porém, nem sempre começa com uma agressão física.
A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas tradicionais de violência doméstica — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral — e também passou a considerar a chamada violência vicária, quando o agressor utiliza filhos ou familiares para atingir emocionalmente a mulher.

A violência psicológica, por exemplo, pode aparecer em atitudes que muitas vezes são confundidas com ciúme ou preocupação: ameaças, humilhações, isolamento, perseguição e controle excessivo sobre escolhas pessoais.

Para especialistas, identificar esses sinais no início pode ser determinante para evitar que a situação evolua para formas mais graves de agressão.

Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda pelo Ligue 180, canal nacional de orientação e denúncia. Em casos de emergência, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

O registro de ocorrência pode ser feito em delegacias, preferencialmente nas Delegacias de Defesa da Mulher, ou por meio da Delegacia Eletrônica.

Em São Paulo, a rede de atendimento inclui serviços como o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o acionamento do botão de pânico para mulheres com medida protetiva, além da Patrulha Mulher Segura, Salas Lilás do Instituto Médico Legal e unidades de atendimento psicológico e jurídico.

Reconhecer os primeiros sinais de violência é também uma forma de proteção. Muitas vezes, antes da agressão física, existe uma sequência de comportamentos que tentam diminuir a autonomia e a liberdade da mulher.

Fonte: TV D Mococa

Conteúdo publicado originalmente pelo veículo citado e reproduzido aqui com crédito e link para a matéria completa.

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